Desde que vim para cá, a coisa
que mais escutei foi: “você não vai gostar de Curitiba. Não tem nada a ver com
você.” “Lá é muito frio, e as pessoas, nem se fala!”. Eu sabia que essa era uma
opinião daquelas pessoas, e que em breve eu formaria a minha. Também sabia que
aqui era frio. Mas quando cheguei, percebi que era mais frio do que eu podia
imaginar. A cidade era um lugar desconhecido que precisava ser desbravado. E as
pessoas? Me falaram tanto que elas eram estranhas, que resolvi ficar mais na
minha. Mas o primeiro choque veio. Um belo dia estava eu no elevador. Entrou um
rapaz. Eu, bem educada que sou: “bom dia!”. Silêncio. ...... Silêncio. E o silencio
permaneceu até o elevador chegar no destino. Saindo, passei pelo porteiro
desejando “bom dia!” e.... mais silêncio. Desisti de dá bom dia para os
porteiros. Eles sempre ignoram. Esquisito demais.
Passando alguns dias, comecei a
conhecer curitibanos. Alguns deles me surpreenderam, não posso mentir. E me
alertaram de algumas coisas. Curitibanos vivem em bolhas. Eles não deixam se
aproximar muito. A começar do cumprimento. Por aqui não são dois beijinhos. É apenas
um. O aperto de mão é quase a 1 metro de distância. Muitos deles reconhecem que
essa “bolha” existe e, o pior de tudo, eles adoram a tal bolha. Ouvi dizer que
tudo isso era por causa do clima. Como é muito frio, cada um vive na sua, sem
dá muita bola pra ninguém. Concordo (e percebi na pele) que o frio torna as
pessoas frias. Fato. Mas acho que a educação deveria vir em primeiro lugar. Um
dia fomos em um bar, dentro do shopping, e uma amiga curitibana falou “afe,
aqui só tem curitibano!”. Como assim? Quer coisa mais esquisita que isso?
Descobri que eles também são
machistas. Os homens. Talvez mais que os cearenses. E todos tem namoradas. Todos
os seres dessa cidade estão em pares. Gordinhos, feinhos, magrinhos, bonitos, bonitões,
nerds e esquisitos. Todos tem namorada. E a mesma regra vale para as moças,
claro! Eu queria registrar todos os casais que já vi. Dos mais bonitos aos mais
esquisitos. Em relação as moças, percebi que elas usam o cabelo com um corte
todo especial. De todos os jeitos. E de todas as cores também. Laranja, claro e
escuro. Vermelho. Vermelho fogo. Amarelo. Loiro. Rosa. Verde. Azul. Todas essas
cores já foram vistas em cabelos curitibanos. E se maquiam bastante. Principalmente
o olho. Muito rímel. Inclusive tenho minha teoria sobre toda essa tinta: como ninguém
mostra sequer o ombro, devido a quantidade de roupas, elas resolvem carregar na
maquiagem. Eu achei isso ótimo.
Beleza? Não acho que eles são um “povo
bonito” como já percebi em outros lugares. São pessoas normais. Logico que existem
pessoas bonitas. E lindas. Principalmente meus amigos. Mas não é um povo que
passou dez vezes na fila da beleza. Ouvi dizer também que eles são tímidos. Mas
não concordo. Acho que falta só um pouquinho de vontade de ser agradável mesmo.
Eles também não sentem frio. Isso
é incrível. Quantas vezes vi rapazes de bermuda e camisa e meninas de saia? Mini saia, devo ressaltar. Enquanto
eu permaneço com minhas 4 blusas + sobretudo. Não consigo entender. Como esses
seres não sentem frio? E o pior é que tiram sarro de mim quando me vêem, em um
dia de sol, com casaco de inverno. Na semana de “sol intenso” que
vivi por aqui, desci com uma mulher no elevador, e ouvi “que calor gostoso esse
que tá fazendo né?”. Calor? Eles não sabem o que é calor. O dia mais quente
aqui não existe em fortaleza, porque não é o calor que eu conheço.
Mas aqui não é o fim do mundo
não. No meio dessa galera curitibana, com essas qualidades especificas (pra não
dizer esquisitas), conheci pessoas que tem características da minha terra. Acolhedoras,
sorridentes, engraçadas e de bem com a vida. Que me levam pra casa, me chamam pra sair, me abraçam, tomam cerveja e me fazem dá boas gargalhadas. E que de vez em quando, me chamam
de curitibano. Diante de minhas atitudes esquisitas. Para não dizer estranhas, como diriam as
más línguas.
ps.: postei esse texto ontem (12.08), mas hoje acabei de ver o suricate, e resolvi postar aqui porque supercabe!
ps.: postei esse texto ontem (12.08), mas hoje acabei de ver o suricate, e resolvi postar aqui porque supercabe!

Muito bom, Virginia! Tou adorando o blog! Boa sorte aí, e não desista de dar bom dia! Seja uma embaixadora da simpatia e boa educação cearenses, e deixe os mal educados com o silêncio deles :)
ResponderExcluirBeijo!