segunda-feira, 12 de agosto de 2013

curitibanos

Desde que vim para cá, a coisa que mais escutei foi: “você não vai gostar de Curitiba. Não tem nada a ver com você.” “Lá é muito frio, e as pessoas, nem se fala!”. Eu sabia que essa era uma opinião daquelas pessoas, e que em breve eu formaria a minha. Também sabia que aqui era frio. Mas quando cheguei, percebi que era mais frio do que eu podia imaginar. A cidade era um lugar desconhecido que precisava ser desbravado. E as pessoas? Me falaram tanto que elas eram estranhas, que resolvi ficar mais na minha. Mas o primeiro choque veio. Um belo dia estava eu no elevador. Entrou um rapaz. Eu, bem educada que sou: “bom dia!”. Silêncio. ...... Silêncio. E o silencio permaneceu até o elevador chegar no destino. Saindo, passei pelo porteiro desejando “bom dia!” e.... mais silêncio. Desisti de dá bom dia para os porteiros. Eles sempre ignoram. Esquisito demais.

Passando alguns dias, comecei a conhecer curitibanos. Alguns deles me surpreenderam, não posso mentir. E me alertaram de algumas coisas. Curitibanos vivem em bolhas. Eles não deixam se aproximar muito. A começar do cumprimento. Por aqui não são dois beijinhos. É apenas um. O aperto de mão é quase a 1 metro de distância. Muitos deles reconhecem que essa “bolha” existe e, o pior de tudo, eles adoram a tal bolha. Ouvi dizer que tudo isso era por causa do clima. Como é muito frio, cada um vive na sua, sem dá muita bola pra ninguém. Concordo (e percebi na pele) que o frio torna as pessoas frias. Fato. Mas acho que a educação deveria vir em primeiro lugar. Um dia fomos em um bar, dentro do shopping, e uma amiga curitibana falou “afe, aqui só tem curitibano!”. Como assim? Quer coisa mais esquisita que isso?

Descobri que eles também são machistas. Os homens. Talvez mais que os cearenses. E todos tem namoradas. Todos os seres dessa cidade estão em pares. Gordinhos, feinhos, magrinhos, bonitos, bonitões, nerds e esquisitos. Todos tem namorada. E a mesma regra vale para as moças, claro! Eu queria registrar todos os casais que já vi. Dos mais bonitos aos mais esquisitos. Em relação as moças, percebi que elas usam o cabelo com um corte todo especial. De todos os jeitos. E de todas as cores também. Laranja, claro e escuro. Vermelho. Vermelho fogo. Amarelo. Loiro. Rosa. Verde. Azul. Todas essas cores já foram vistas em cabelos curitibanos. E se maquiam bastante. Principalmente o olho. Muito rímel. Inclusive tenho minha teoria sobre toda essa tinta: como ninguém mostra sequer o ombro, devido a quantidade de roupas, elas resolvem carregar na maquiagem. Eu achei isso ótimo.

Beleza? Não acho que eles são um “povo bonito” como já percebi em outros lugares. São pessoas normais. Logico que existem pessoas bonitas. E lindas. Principalmente meus amigos. Mas não é um povo que passou dez vezes na fila da beleza. Ouvi dizer também que eles são tímidos. Mas não concordo. Acho que falta só um pouquinho de vontade de ser agradável mesmo.

Eles também não sentem frio. Isso é incrível. Quantas vezes vi rapazes de bermuda e camisa e meninas de saia? Mini saia, devo ressaltar. Enquanto eu permaneço com minhas 4 blusas + sobretudo. Não consigo entender. Como esses seres não sentem frio? E o pior é que tiram sarro de mim quando me vêem, em um dia de sol, com casaco de inverno. Na semana de “sol intenso” que vivi por aqui, desci com uma mulher no elevador, e ouvi “que calor gostoso esse que tá fazendo né?”. Calor? Eles não sabem o que é calor. O dia mais quente aqui não existe em fortaleza, porque não é o calor que eu conheço. 

Mas aqui não é o fim do mundo não. No meio dessa galera curitibana, com essas qualidades especificas (pra não dizer esquisitas), conheci pessoas que tem características da minha terra. Acolhedoras, sorridentes, engraçadas e de bem com a vida. Que me levam pra casa, me chamam pra sair, me abraçam, tomam cerveja e me fazem dá boas gargalhadas. E que de vez em quando, me chamam de curitibano. Diante de minhas atitudes esquisitas. Para não dizer estranhas, como diriam as más línguas.

ps.: postei esse texto ontem (12.08), mas hoje acabei de ver o suricate, e resolvi postar aqui porque supercabe!


Um comentário:

  1. Muito bom, Virginia! Tou adorando o blog! Boa sorte aí, e não desista de dar bom dia! Seja uma embaixadora da simpatia e boa educação cearenses, e deixe os mal educados com o silêncio deles :)

    Beijo!

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