6 meses... Tem uma semana que isso tá martelando na minha cabeça:
6 meses em Curitiba.
6 meses sem encontrar a família, 6 meses sem encontrar a maioria dos amigos, 6 meses sem roda de violão, 6 meses sem ir pro Vila Camaleão, 6 meses sem happy hour (na Europa ou na Africa), 6 meses sem soar pra caramba, 6 meses sem dirigir, 6 meses sem escutar buzinas de carros enlouquecidos no trânsito (é incrível, os carros aqui dificilmente buzinam), 6 meses sem Praia do Futuro, caranguejo e 'Açaí da Jú', 6 meses sem sushi no America Beer ou Pão de Açucar, o lugar de gente feliz, 6 meses sem os latidos do Dico (meu cachorro. Que saudade!).
6 meses sem. Sem um monte de coisa.
6 meses que eu aprendi um monte de coisa.
Aprendi a respeitar as diferenças (ainda mais).
Que carro é um supérfluo que eu julgava tão necessário. Com isso, aprendi o prazer de andar a pé. Eu amo a possibilidade de ir a pé pros lugares. Seja o supermercado, o Mercado Municipal, a XV ou Largo da Ordem. A referência 4km teve grande mudança. Antes, era um absurdo. Hoje, é "mó limpeza". Com a ajuda do magnifico google maps orientando as direções, tudo fica melhor!
Estou, constantemente, aprendendo a cozinhar. Saí de Fortaleza sem saber fazer nem arroz. Hoje faço arroz, feijão, macarrão, carne, frango... E ainda tenho a sorte de, por vezes, ficar bom que só. Aprendi essas coisas domésticas: passar aspirador, pano, lavar roupa.(pode parecer uma besteira, mas pra mim é muito significativo.) E tenho um grande de prazer de ver tudo arrumado. Na última semana, aprendi a abrir lata de milho, com ajuda do Jardel (que mora comigo). Por sinal, ô trem díficil! Tem que encaixar direito o abridor, fazer determinado movimento. Uma das aprendizagens mais difíceis, sem dúvidas.
Aprendi que, já que não tenho praia, eu vou ao parque. Dessa forma, fiz do Jardim Botânico minha praia. É lá que pratico tênis, faço malabares, leio, e, atualmente, tento aprender a andar de skate.
Aprendi, na pele, que você ser legal com outros, só faz atrair coisas boas de volta. É quase que um pensamento egoísta, mas é verdade: se eu sou legal com ele, ele vai ser legal comigo e vai ser muito melhor. Tem dado super certo.
Aprendi que você tem que se despir de muitas coisas pra poder fazer de uma cidade, sua nova morada. Despir mesmo. Até pras mais "sem-vergonhas", como eu, não é um processo nada fácil. Tem que ser ainda mais cara de pau (no melhor sentido da palavra).
Aprendi a valorizar a leitura. Seja ela em qualquer lugar. Em casa, no ponto de ônibus, no ônibus ou intervalo das aulas. Quando penso nisso, lembro dos meus primeiros dias de aula da psicologia que conversando com o grupo de amigas, comentei que odiava ler. Hoje dia, não vivo sem.
Aprendi e estou aprendendo constantemente no mestrado, razão única que me fez "trocar" a linda Fortaleza, pela encantadora Curitiba. Além do contato com os maiores doutores na área de Psicologia Forense, descubro coisas novas em cada aula, em cada papo, em cada leitura. Ô Ciência pra eu amar.
Tenho aprendido a me vestir no frio. Outro dia, passei mil anos escolhendo a roupa pra ir em um samba. Colocava roupa demais? Roupa de menos? Roupa de menos e uma roupa de mais em cima?
E, aprendi, principalmente, a valorizar as pequenas coisas da vida. Essa afirmação pode ser bem batida, quase algo que você poderia se encontrar em um livro de autoajuda (eu odeio autoajuda), mas que tem feito todo sentido pra mim. Eu não preciso de muita pra coisa ser feliz não. Um dia de sol em Curitiba, por exemplo, já garante uma extrema alegria. Como diria o Cristovão Tezza, é dificil ter um dia sol, sem nuvens, mas, quando tem, é a coisa mais linda. Dessa forma, vou sendo feliz a cada nova pessoa legal que conheço, a cada novo encantamento, ao ir em lugares que nunca fui (aquela velha e boa sensação de que sempre estou viajando), a cada novo autor, a cada nova peça de teatro, a cervejas brindadas.
6 meses em Curitiba.
E a certeza de que estou, exatamente, onde eu queria estar.
Escrito por: Amália
Beatriz. Cearense de genética e coração, psicóloga de profissão e
paixão. Possuo a espontaneidade e alegria como regentes da vida. Vontade
constante de aprender, descobrir, encantar e desencantar. Moradora de
Curitiba desde fevereiro de 2013

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