segunda-feira, 5 de agosto de 2013

pra diminuir a saudade

Nunca entendi muito bem porque, mesmo depois de muito tempo morando fora de casa, uma pessoa consegue derramar lágrimas na hora da despedida. Depois de 3 meses morando longe (acho que nem isso tudo), e já tendo voltado 2 vezes pra cidade alencarina, consigo entender e sentir exatamente o efeito da tristeza, traduzido por uma enxurrada de lágrimas. Como sou exagerada e sentimental, a uma semana da partida, fico com um banzo terrível e as velhas e companheiras lagrimas não param de chegar.

Durante a fase de banzo, além da tristeza profunda, existe outra questão extremamente tensa e sentimental: arrumar a mala. Essa modalidade requer prática e paciência, habilidades que ainda não possuo. Antes da arrumação, sempre separo todas as roupas e todos os objetos extremamente necessários que devem adentrar aquele espaço reduzido. Método nada saudável, pois toda vez que minha querida mãe entra no quarto, ela se apavora com a bagunça, e, logicamente, inicia-se uma confusão. “menina, arruma logo essa mala. Aproveita e arruma teu quarto, que é uma eterna bagunça”. As vezes, pra me deixar mais nervosa, ela completa: “não vai caber não, acho melhor você levar uma outra sacola”. Detesto sacolas. Viajar entupida de sacolas é sinônimo de retirante. Me imagino em várias situações durante o longo trajeto Curitiba-Fortaleza. Se as sacolas caírem no chão e eu não tiver como pegá-las? Ou se o vôo atrasar e eu tiver que sair correndo com aquele monte de sacolas? E a ida ao banheiro? nem se fala! Odeio viajar carregada. O ideal pra mim seria uma mala que coubesse tudo. Ficando de fora apenas o que será carregado na bolsa pessoal. Enfim. No sonho de viajar sem sacolas, as minhas roupas separadas vão ficando por ali. Durante uns 3 dias. Uma semana. E até mais. Como se num passe de mágicas, tudo se resolvesse.

Na véspera do fatídico momento, tomo coragem e parto para a mala. Tudo começa tão organizado, que chego a ter certeza que daquela vez vai caber. Na metade percebo que mais uma vez não conseguirei. E quando ainda restam mais 23kg, fora os que já estão amontoados dentro da mala, tenho a consciência de que meu pensamento inicial foi mero engano. No minuto final precisamos pesar, literalmente e sentimentalmente, aquilo que é mais importante. Fui tirando aos poucos o que eu não iria precisar para o frio curitibano: uma bota de salto alto, dois cachecóis de lã, um casaco de couro, dois nichos para o meu novo quarto, 3 livros, uma xilogravura com a temática do tambor de crioula, minha calculadora e um pacote de Vitamilho. Acabei elegendo o que realmente importava: 2kg de goma fresca, meu agbê e meu travesseiro. Apesar de ter aversão a sacolas, viajei carregada mais uma vez. Mas feliz. Por ter certeza de que a saudade diminuiria a cada manhã, na hora do mergulho da minha tapioca no café com leite.


.escrito por Virgínia.

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