Domingo, mas também poderia se chamar "Futebol". Ou "Ressaca". Afinal, as duas coisas ocorrem constantemente "em um dia de domingo". Últimas rodadas do campeonato brasileiro. Os dois times do Paraná que estão na Série A vivem situações bem diferentes. O Atlético Paranaense (que tem sua Fanática torcida conhecida pelos os Coxas-Brancas - como são conhecidos os torcedores do Coritiba, apelido recebido na década de 30, na qual os jogadores eram principalmente descendentes de alemães e tinham as coxas brancas - como "Porcos" ou "Poodles") está na disputa de uma vaga para jogar a libertadores, após ter recentemente perdido o título da Copa do Brasil para o Flamengo. O Coritiba, do outro lado da tabela, encontra-se na zona de rebaixamento, tendo obrigatoriedade de vencer os dois últimos jogos para permanecer na elite do futebol brasileiro. No mesmo domingo, sai uma matéria de destaque no Gazeta do Povo (jornal impresso/online local) na qual o técnico do Coritiba pede apoio aos torcedores para que se façam presentes no último jogo do ano no Estádio Couto Pereira (local onde o time alviverde costuma jogar na terra das araucárias) para que seja passada toda energia positiva para os jogadores em campo. Dessa forma, o time alviverde, fundado em 1909, carinhosamente chamado de "Coxa", chega com grande responsabilidade para o jogo contra o Botafogo. Botafogo que também precisava vencer para assegurar uma vaga no campeonato mais importante da América. Assim, mais de 19.000 torcedores coxas-brancas preencheram o Estádio das cores verde e branca, acreditando e apoiando o Coritiba.
Mas, o que tem uma cearense a ver com tudo isso?
Futebol é uma paixão nacional. Mundial. Uma paixão que, confesso, me fascina, assim como todas as formas de paixão. Paixão, que não entrou na teoria do Sr. Freud, que limita o tempo da mesma de, em média, três meses. Paixão que faz um dos maiores compositores (geniais compositores, diga-se de passagem) do Brasil, declará-la aos quatro ventos: Seu Chico Buarque. Paixão que move torcedores e mais torcedores aos estádios, levando essa paixão em forma de vestimenta, bandeira, casacos, gritos, apreensões, alegrias, palavrões e músicas. Em forma de bateria, tão forte quanto o coração fica nos momentos mais nervosos ao longo do jogo. E irracional. Afinal, paixão e irracionalidade andam ali, de mãos dadas.
Com tudo isso, acredito que se apropriar de uma cidade, é também se apropriar dessa paixão tão enlouquecida: o futebol. E com isso, acho que tenho tudo a ver.
Saída do estádio e a volta para a concentração. A última do ano. Carne e cerveja pra celebrar a vitória.
A minha banda favorita da adolescência tava quase certa. Tão emocionante como uma partida de futebol, é uma torcida de futebol.
Escrito por: Amália
Beatriz. Cearense de genética e coração, psicóloga de profissão e
paixão. Possuo a espontaneidade e alegria como regentes da vida. Vontade
constante de aprender, descobrir, encantar e desencantar. Moradora de
Curitiba desde fevereiro de 2013. Torcedora do Cruzeiro. Torcedora do Fortaleza.