O esperado sábado chegou. Deixo de ir à praia (ela mesma, que tanto faz falta) e almoçar com uma amiga na casa nova dela para poder assistir ao show de um artista pernambucano. Na rua. Um projeto chamado "Cultura na Rua", que visa, pelo o que entendi, trazer atrações musicais para os espaços públicos. Trazer o pessoal pra rua. 13:00.
Questionei, comigo mesma, esse horário. 13:00? Tentei comparar com Fortaleza e pensar se lá projetos desse tipo começariam neste horário. Acho que não. Lá é sempre à noite. Já escutei falar que os Curitibanos não aderem projetos assim. Que não vão às ruas. É de se entender. Tá sempre chovendo e/ou muito frio. É tanto que os bares, por exemplos, são lugares fechados. Dificilmente se encontra cadeiras nas calçadas (no Largo da Ordem é o único lugar que vi até agora). Mas também, com esse sempre frio e chuva. No entanto, eu não afirmaria que eles não frequentam os espaços públicos. Pelo menos, se eu for tirar pelas manifestações de junho, que, debaixo de um frio e chuva desgraceira, estavam lá, em bom número, falando/cantando "ei, piá, queremos um país tesão!". Curitiba na rua. Também manifestando.
Após a Santos Andrade, chego no rua XV de Novembro. Também conhecida como Rua das Flores. Primeira grande via pública brasileira exclusiva de pedestres. A XV é uma "rua" linda. Desde a primeira vez que estive em Curitiba, ela foi um dos encantamentos. Totalmente ocupada de pessoas, prédios históricos belíssimos e canteiros de flores. Em toda sua extensão, as mais diversas artes: música, desenhos, palhaços. Pessoas. A rua ocupada de artistas. No dia do artista. Eram muitos estímulos e já era 13:00. Já estava atrasada pro show (existe uma pontualidade impressionante!), mas não conseguia passar rápido por tudo. O olhar curioso estava a devorar aquilo que ia passando por mim. Por vezes, parava, mas logo lembrava: estava atrasada pro show.
Chego na Boca Maldita (no final do calçadão da XV). O show já tinha começado. Vou lá pra freeente do palco (não era difícil, a quantidade de pessoas era bem pequena). De novo, o olhar curioso devorava tudo. Queria prestar atenção no show, nas pessoas, no lugar. Muitos estímulos. Siba, o artista pernambucano, se garantiu durante toda apresentação, assim como sua banda. Apesar da quantidade pequena de pessoas, ele conseguiu interagir muito bem com os que ali estavam. E quem eram esses? Homens barbados, por vezes, de cabelos grandes, mulheres com tatuagens e
cachos, crianças atentamente na "cacunda" dos pais prestando atenção em
tudo. Moradores de ruas, bebos, também fazendo a festa. Pessoas que passavam e ficavam curiosas paravam pra assistir. Uma vez, algum dos meninos do Luxo da Aldeia comentou no facebook sobre essa mistura. E de como gosta dessa mistura. Acho que é exatamente disso que eu mais gosto nos eventos ocorridos na rua. A possibilidade de "misturar". Tudo junto e misturado.
Acaba o show e um pequeno intervalo para a próxima banda, Trombone de Frutas. Vamos a procura de cerveja enquanto esperamos. Aqui, um ponto a destacar: não existiam vendedores ambulantes. Isso, isso. Os moços com isopor vendendo cerveja. "Óia a cerveja, três real". Como assim? Evento de rua e não existe vendedores ambulantes? Poisé, o que acontece é que nunca vi deles por aqui. Talvez exista uma lei municipal para isso. Não sei. Mas que é diferente, é.
Trombone de frutas, e um monte de fruta no palco. Melancia, uva, banana. Roupas coloridas. Engraçado que, dias antes, tinha visto um clipe da banda. No mesmo dia, fui pra um bar, e tinha uma pessoa com uma camisa típica do "Trombone de Frutas". Falo: "Eaí, Trombone de Frutas." O cara se acaba de rir e diz que conhece a banda, e que a camisa dele fazia mesmo o estilo do grupo musical. Voltando a apresentação, ela foi, no mínimo, muito divertida. Inglês, espanhol e português. Tudo misturado! (olha a mistura de novo!). E a interação com o público, excelente. (sim, eu amo a interação artista - público).
Segundo tempo. Vejo, por um "amigo", que vai rolar uma festa "junina" no Largo, na praça, na rua. Após o show, nos encaminhamos para lá. O lugar tava toooodo decorado. Bandeirinhas de São João, bois para vestir, mesa de comidas. A coisa mais linda e cuidadosa! E música, música de "Festa Agostiana". Forró. Triângulo e Zabumba. Eu não tinha ideia, até aquele momento, como eu estava com saudade disso (apesar de já ter ido pra um forró aqui, aquele momento de São João, era totalmente diferente). Não foram poucas vezes que os meus olhos ficaram cheios de lágrimas, encantada de estar naquele lugar. Tratei de amarrar meu cabelo com duas "chuquinhas" e caí na dança. Na quadrilha. Na alegria.
E, diante de tudo, eu só consigo pensar: Vem pra rua!
Escrito por: Amália Beatriz. Cearense de genética e coração, psicóloga de profissão e paixão. Possuo a espontaneidade e alegria como regentes da vida. Vontade constante de aprender, descobrir, encantar e desencantar. Moradora de Curitiba desde fevereiro de 2013.


