Dois dias após a saída (na segunda-feira) o cara legal adiciona no facebook.
Sr. Curitiba: Oi, tudo bem?
Moça: Tudo e com você?
SC: Tudo bem também... Boa a festa ontem, né?
M: Pois é, achei divertida, pessoas legais...
SC: E você, o que veio fazer em Curitiba? Como é que você larga o calor do Ceará?
M: Rs. É que pra gente estudar tem que fazer esses esforços, né? Rs.
SC: Mas já tá adaptada a cidade? Costuma sair pra onde?
M: No começo é sempre mais difícil... mas com o tempo você vai fazendo o que gosta, achando os lugares que agradam.
(...)
SC: Nossa, você gosta desse tipo de música? Que massa! Eu também.
M: Massa mesmo, hein? É difícil encontrar pessoas que gostem disso. Mudando de assunto... Nossa, tô com frio!
SC: Ah, mas hoje nem tá tão frio assim.
(...)
SC: Moça, foi bom falar com você! Nos comunicaremos mais vezes.
M: Ô, Sr. Curitiba, também foi bom conhecer você melhor. Até mais!
No decorrer da semana, o papo continua intenso. Afinidades vão sendo descobertas. Pra comunicação ficar mais "próxima", eles se adicionam também no whastapp.
Chega a sexta-feira.
Chega a sexta-feira.
SC: Oi, moça! E aí, o que você vai fazer hoje?
M: Ah, acho que nada. Não tenho nada combinado. E você?
SC: Eu vou pra um barzim com uns amigos. Um lugar bem legal!
M: Olha, que bacana! Interessante, hein?
SC: É, esses meus amigos são legais. Vai ser divertido!
M: Ah, pois beleza. Se divirta!
SC: Obrigada, depois nos falamos! Beijo grande!
Reparem que a moça deu abertura para eles saírem. Na verdade, era o que ela estava querendo após uma semana de conversas sem parar. Porém, o rapaz nada de tomar atitude e chamá-la para nada. "Será que ele quer ser só amigo? Curitibanos são assim? Posso tomar atitude? Se fosse lá na minha terra... Idiota!".
Chega o sábado e novamente o assunto continua. Uma observação: ele mandou foto pra ela enquanto estava na festa no dia anterior, dizendo que ela iria amar aquele lugar.
SC: E o sabadão, moça? Qual vai ser a boa?
M: Ah, eu vou assistir um apresentação de uma banda de rock que dizem que é muito boa. Vamos?
(Siiiim, ela tomou atitude. Era necessário.)
SC: Ah, tenho que ver se meus amigos querem ir. Qualquer coisa, te aviso! Você vai com quem?
(....)
Nesse momento, a moça pensa: "Como assim chamar os amigos? Ele não entendeu que eu estou o chamando pra sair?"
Sábado à noite: Rock. A moça vai bem bonita achando que vai encontrar o rapaz.
Duas horas depois, o Sr. Curitiba chega.
SC: Olá, que lugar legal esse, né?
M: Pois é, eu também achei. A banda está ótima. Ah, deixa eu te apresentar meus amigos.
Duas horas depois de se encontrarem.
SC: Você tá bonita, hein?
M: Ah, obrigada! Você também! Vamos lá pra frente?
Nessa altura do campeonato nem paquera rolava. E ir pra frente do palco seria uma tentativa de ficar mais próximo, mas... Nada! Os mesmo pensamentos retornam: "Ele quer ser só meu amigo? Se fosse lá na minha terra.. Idiota!"
Eles se divertem a noite toda. Brincam, balançam a cabeça juntos, cantam as músicas, compram cerveja, conversam com os amigos. Até que o rapaz solta...
SC: Moça, eu queria muito ficar com você. Porém, não vou ficar hoje.
A moça, diante dessa situação, e com o já quase final da festa, prefere ir embora com mil questionamentos na cabeça "Qual é a desse cara? Conversa que só diz que está interessado e não faz nada? Só podia ter outra paquera naquele lugar. Idiota!
Domingo. Novos papos via redes sociais. Os dois fingem que nada aconteceu no dia anterior.
SC: E aquela festa, foi boa, né? Você estava linda!
A moça pensa: "Qual é a desse cara? Não estou entendendo mesmo. Ele quer ser amigo? Amizade é bom. É ótimo. Mas é bom quando a gente sabe o que a pessoa está querendo!"
M: Ah, eu também gostei... foi ótimo!
Duas horas de papo.
SC: Moça, vou dormir. É sempre muito bom falar com você.
M: Ah, também! Abraços.
De novo, um novo papo, novas afinidades e nada. Nada. A menina continua sem entender. Curitibanos? Eles são assim? Nessa dúvida cruel, passa a pedir opiniões para outros senhores curitibanos: Moça, os curitibanos são assim mesmo. Lentos. Até os rápidos daqui, são lentos. Curitiba é a cidade do chá. Quando não é a menina que coloca ele no chá, é o outro que faz. Sempre tem alguém colocando um ou outro de molho. Moça, aqui em Curitiba é assim. Você tem que acostumar com esse jeito. O negócio é o seguinte: tem que ter mais de um paquera. Quando um deixa você de molho, você vai para o outro. É sempre bom ter outro plano.
Mais uma semana se passa. A mesma história. Conversas e mais conversas. A mesma história. Também a lentidão, a dúvida se é uma paquera ou amizade, o não chamar para sair.
E mais uma semana passa. E mais uma semana.
Chega o final de semana. Nada do rapaz chamar a moça para sair. Coincidentemente, os dois se encontram no mesmo lugar. Papo pra cá, papo pra lá. Nada da linguagem corporal. Nada do rapaz nem tocar na moça. As horas vão passando, a companhia vai ficando cada vez mais agradável. Bebida vai, bebida vem, e, finalmente, no final da festa, após semanas de conversas, os dois se beijam. Beijam, abraçam, abraçam, beijam. "Valeu esperar" a moça pensa.
Na hora de ir embora, a moça, que nessa altura do campeonato já achava que as coisas poderiam andar mais naturalmente (e não lentamente), diz para o Sr. Curitiba:
M: Você vai embora agora? Posso ficar mais um tempo aqui com você.
SC: Não, não. Pode ir com suas amigas.
E assim iniciou mais uma semana. E os papos, e os bons papos, e a afinidade, e o também não chamar para se encontrar.
Obs: Gostaríamos de deixar claro que essa é uma história fictícia. Que o rapaz e a moça são baseados na nossa (as escritoras do blog) imaginação, histórias de bar, conversas costumeiras e observações realizadas.
