sexta-feira, 23 de maio de 2014

Um ano e três meses.

1 ano e três meses. O tempo passa rápido. Voando! Quando você menos espera, já sabe nome de ruas, ônibus, lugares para comer diferentes tipos de comidas, lugares para fazer compras. 1 ano e três meses. Apenas uma ida à Fortaleza nesse tempo todo. Apesar do facebook aproximar, me sinto cada vez mais distante. Distante das amizades, dos movimentos políticos que andam acontecendo, da Santos Dumont e Dom Luis que agora viraram vias únicas. Nesse quesito queria fazer uma observação: Qq o pessoal do Roberto Cláudio tá pensando? Que é destruindo os canteiros centrais da cidade e tornando as vias únicas que o trânsito vai acabar? Não, não vai. E além disso prejudica tanto esteticamente a cidade, como sua qualidade de vida. Fortaleza já tem tantas poucas árvores, que sim, menos algumas faz muita falta. É, Lilis, eu não sei o que fazer diante disso. Ando meio radical ultimamente. Pra mim, tá tudo na base de explodir e começar de novo, já que as situações não andam nada fáceis (né. Jú?). Ainda nesse assunto, hoje passeando no ônibus turístico de Curitiba, vi a cidade de cima e reparei bem na Mariano Torres. Mariano Torres é uma grande rua (avenida) daqui, que não sei se tempos atrás ela era duas mãos, tem toda pinta de que seria, mas não tenho esse conhecimento. O que acontece é que no meio das suas seis faixas o que se tem? Árvores! É, arborização. Verde na cidade cinza. Uma coisa de linda de vi.ver.

1 ano e três meses. Há pouco tempo descobri uma coisa que se fala diferente de Curitiba e Fortaleza. O ovo estrelado. Pra mim, ovo estrelado era estrelado em tudo que é lugar. - Ovo estrelado? (diz um curitibano). - Aquele ovo na frigideira (cearense). -Ah, ovo frito (c). As diferenças parecem não acabar mais nunca. Ao mesmo momento, que já rola uma aproximação grande. Poucas vezes noto mesmo o sotaque do meu namorado. Virou comum. É normal. Sério, isso parecia que nunca ia acontecer, que eu sempre ia estranhar esse sotaque, para todo sempre. Do contrário, toda hora ele nota o meu. Fresca direto! No fundo, sei que ele sabe que o jeito cearense de falar é a coisa marlinda do mundo. (ele até fala às vezes sem querer!). A Gabi, que mora comigo, também tem aprendido o sotaque cearense. Agora, quando ela quer contar uma história, ela já aprendeu que se diz "Amália, tu me acredita?". Apesar de sempre perguntarem de onde eu sou, uma coisa melhorou bastante: a população, em geral, entende o que falo! Antes sempre ficavam com uma cara de que "que que essa nordestina tá falando?". Um grande alivio, ein, Larissa?

1 ano e três meses. E é a primeira vez que alguém da minha família vem me visitar. O irmão/pai está aqui. E é por isso que eu estou escrevendo isso tudo. E é por isso que me dei conta de como as coisas mudaram nesse tempo. E como eu mudei. Por falar nisso, recomendo para todos: saia da sua cidade, vá morar em outro lugar, se permita conhecer outras pessoas, outras culturas. É incrível que isso traz crescimento, aprendizagem. O irmão então chega a casa, que não é a de vocês, é a sua casa com outras pessoas. Você tem que recepcionar, arrumar as coisas, explicar. É receber alguém na "sua casa" que não é mais a de vocês. É receber alguém que ensinou ao longo de sua vida muita coisa que você sabe, e hoje você tem a oportunidade de ensinar a ele. Contar sobre a política, sobre praças, sobre pessoas, sobre outra cultura. Aquela, que não é a de vocês. 

1 ano e três meses. E ontem tive uma das melhores sensações da vida. Andar de bicicleta na chuva. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

"Uma partida de futebol"

Domingo, mas também poderia se chamar "Futebol". Ou "Ressaca". Afinal, as duas coisas ocorrem constantemente "em um dia de domingo". Últimas rodadas do campeonato brasileiro. Os dois times do Paraná que estão na Série A vivem situações bem diferentes. O Atlético Paranaense (que tem sua  Fanática torcida conhecida pelos os Coxas-Brancas - como são conhecidos os torcedores do Coritiba, apelido recebido na década de 30, na qual os jogadores eram principalmente descendentes de alemães e tinham as coxas brancas -  como "Porcos" ou "Poodles") está na disputa de uma vaga para jogar a libertadores, após ter recentemente perdido o título da Copa do Brasil para o Flamengo. O Coritiba, do outro lado da tabela, encontra-se na zona de rebaixamento, tendo obrigatoriedade de vencer os dois últimos jogos para permanecer na elite do futebol brasileiro. No mesmo domingo, sai uma matéria de destaque no Gazeta do Povo (jornal impresso/online local) na qual o técnico do Coritiba  pede apoio aos torcedores para que se façam presentes no último jogo do ano no Estádio Couto Pereira (local onde o time alviverde costuma jogar na terra das araucárias) para que seja passada toda energia positiva para os jogadores em campo. Dessa forma, o time alviverde, fundado em 1909, carinhosamente chamado de "Coxa", chega com grande responsabilidade para o jogo contra o Botafogo. Botafogo que também precisava vencer para assegurar uma vaga no campeonato mais importante da América. Assim,  mais de 19.000 torcedores coxas-brancas preencheram o Estádio das cores verde e branca, acreditando e apoiando o Coritiba.

Mas, o que tem uma cearense a ver com tudo isso? 

Futebol é uma paixão nacional. Mundial. Uma paixão que, confesso, me fascina, assim como todas as formas de paixão. Paixão, que não entrou na teoria do Sr. Freud, que limita o tempo da mesma de, em média, três meses. Paixão que faz um dos maiores compositores (geniais compositores, diga-se de passagem) do Brasil, declará-la aos quatro ventos: Seu Chico Buarque. Paixão que move torcedores e mais torcedores aos estádios, levando essa paixão em forma de vestimenta, bandeira, casacos, gritos, apreensões, alegrias, palavrões e músicas. Em forma de bateria, tão forte quanto o coração fica nos momentos mais nervosos ao longo do jogo. E irracional. Afinal, paixão e irracionalidade andam ali, de mãos dadas.

Com tudo isso, acredito que se apropriar de uma cidade, é também se apropriar dessa paixão tão enlouquecida: o futebol. E com isso, acho que tenho tudo a ver.

Domingo. Coritiba X Botafogo. Saio de casa. Camisa verde, meia verde. Se é pra conhecer, se é pra torcer, se é pra fazer parte, tem que fazer direito. Com o pé direito. O biarticulado pra chegar no estádio perde até sua cor vermelha de tanto verde que tinha dentro. Curitiba, sem dúvidas, estava ainda mais verde. Ainda mais Coritiba. A chegada ao estádio, e os torcedores visivelmente entusiasmados e apreensivos. Essa foi a minha sensação durante todo o primeiro tempo do jogo. Antes de entrar, a concentração. A cerveja com carne pra aliviar a tensão, pra conversar sobre o jogo, pra fortalecer os laços advindos com a paixão futebolística. "Vai começar o jogo, vamos entrar". Esse negócio de um monte torcedor apreensivo e entusiasmado junto, vou contar, deixa até você, torcedora do campeão brasileiro de 2013, da mesma forma. No entanto, naquele instante eu estava com o mesmo objetivo da torcida alviverde, porém, sem a mesma paixão. Se os curitibanos são frios, como todos dizem, eles deixam a frieza em casa antes de ir ao estádio, tenho certeza.

Apita o arbitro e a torcida (diga-se de passagem, ô torcida bonita) canta empolgando o time em busca da vitória, em busca da vitória, pois foram ali para apoiar. No decorrer do jogo, tudo aquilo que falamos caracterizando a paixão pelo o esporte favorito da nação, acontece. Tudo. Talvez um pouco mais. O juiz, coitado, é sempre o ladrão. O filho da puta. A culpa não é do time que faz cagadas. É do juiz, lógico. Ah, a paixão! A culpa também é daquele técnico. Se fosse o torcedor que estava atrás de mim o técnico, tenho nem dúvidas. Teria sido goleada. Ele sabia tudo. Torcedor sempre sabe o que é melhor pro seu time. Gol. Duas vezes. Pro Coxa. Cooooxa, cooooxa! Eu tinha esquecido como esse momento no estádio me lembrava o momento da "paz de cristo" na missa. É o momento que todos se cumprimentam. E abraçam! Muito apertado! Como diria um certo coxa-branca, o momento do gol é o momento de extravasar a energia acumulada. O alivio em forma de alegria. O Botafogo faz um. Não importa. Não há tempo hábil para virada. Acredito também que os torcedores nem "perceberam" o momento do gol. A preocupação naquele exato instante, era xingar a polícia militar. "Vergonha do Brasil". Seja o veRgonha do Ceará ou o veRgonha do Paraná. Acho que isso todo mundo concorda. Apita o arbitro. Com uma araucária linda testemunhando tudo, o Coritiba ganha. Já sei. Foi tudo culpa da meia verde. 

Saída do estádio e a volta para a concentração. A última do ano. Carne e cerveja pra celebrar a vitória. 

A minha banda favorita da adolescência tava quase certa. Tão emocionante como uma partida de futebol, é uma torcida de futebol.



Escrito por:  Amália Beatriz. Cearense de genética e coração, psicóloga de profissão e paixão. Possuo a espontaneidade e alegria como regentes da vida. Vontade constante de aprender, descobrir, encantar e desencantar. Moradora de Curitiba desde fevereiro de 2013. Torcedora do Cruzeiro. Torcedora do Fortaleza.












terça-feira, 26 de novembro de 2013

pareça e desapareça

                                          ponte metálica. fortaleza. ceará.

Não sei se porque meu avô foi professor de geografia, mas eu lembro de ter um mapa do brasil, colado na parede do meu quarto, durante a vida escolar. Lembro que olhava muito pra ele. E, por algum motivo, acabei decorando todos os estados e capitais do país continental. Mesmo aqueles mais distantes e impossíveis. 

Claro que para todo “decoreba” existem regras. Regras feitas pela nossa cabeça. Que nunca querem dizer nada. Mas que conseguimos o objetivo: decorar.

Assim foi para distinguir Rondônia de Roraima. Roraima. Lá em cima. Só poderia ter uma Boa Vista. E Rondônia, coitada! Escondida lá embaixo. Tinha que ser estranha e ter um Porto Velho. Mato Grosso Cuiabá me pareciam sonoros. Assim como Tocantins Palmas. 

Para o nordeste acho que tinha uma musiquinha com o nome de todos os estados e capitais. Além de ser uma obrigação.

Descendo um pouquinho, tinha o famoso sudeste. O mais fácil de decorar. Dois estados com capital de mesmo nome. E um lugar de nome Espírito Santo, só podia ser uma Vitória. 

Florianópolis era fácil! Além de São Luis, era a outra capital ilha. E apesar de Curitiba ser a cidade invisível, eu sempre soube que o Paraná existia. Meu pai passou longos anos vindo pra cá.

Acabei falando isso tudo não pra reclamar que os curitibanos não sabem distinguir o norte do nordeste. Muito menos pra dizer a raiva que sinto por não saberem a existência da tal Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

Cheguei à historinha das tais capitais por está lendo um autor curitibano que eu não sabia da existência. E isso é um absurdo. Visto que ele é idolatrado pelas bandas de cá. Tudo é Leminski. Grafites. Rota turística. e outros bla bla blas.

Apenas por não saber quem era o tal Paulo, eu consigo perdoar a todos aqueles que eu conheci e que conhecerei que desconhecem meu lugar de origem.

E por falar em origem, eis que surge na minha frente. A 01:30 da manhã. Uma poesia que parecia falar de amor. Mas li de novo. Mais uma vez. Novamente. E ela se transformou. Pareceu, para mim, a relação que temos com nosso mundo, nossa cidade e nossas pessoas. E para ela uma foto que parece e desaparece comigo.

Parece que foi ontem.
Tudo parecia alguma coisa.
O dia parecia noite.
E o vinho parecia rosas.

Até parecia mentira,
Tudo parecia alguma coisa.

O tempo parecia pouco,
E a gente se parecia muito.
A dor, sobretudo, 
parecia prazer. 

Parecer era tudo
que as coisas sabiam fazer.

O próximo, eu mesmo.
Tão fácil ser semelhante,
quando eu tinha um espelho 
pra me servir de exemplo.

Mas vice-versa e vide a vida.
Nada se parece com nada.
A fita não coincide
com a tragédia encenada.

Parece que foi ontem.
O resto, as próprias coisas contem.


Paulo Leminski

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"a memória queima. longe dela, brilha o deserto." cristóvão tezza

Era um lindo domingo de sol curitibano quando resolvi sair. Andar um pouco. Passear. Apenas por causa do rei sol. Que é tão cultuado e louvado pelas bandas de cá. Sua presença é tão esperada, pra não dizer necessária, que quando ele surge, mesmo que atrás das cinzentas nuvens, torna-se uma obrigação colocar os pés pra fora de casa. Ou melhor. O corpo inteiro.

Quando ele reina, a cidade muda. Os prédios ficam mais bonitos. O vento mais agradável. E as pessoas tornam-se mais simpáticas. E coloridas. As peças de roupa colorem a cidade. Blusa. Calça. Cachecol. Brincos. Tudo.

Havia ido à famosa feirinha do domingo. No tão animado Largo da Ordem. Não fui para comprar. Apesar de ter vontade de levar tudo. Mas apenas para o passeio. Em homenagem ao rei. E a mim.

Eu voltava serelepe e feliz depois de ver tantas cores. E sentir aquele ventinho “quente” maravilhoso. Só não melhor que a brisa cearense. E o vento do Aracati. Que percorre o Ceará trazendo alegria aos municípios jaguaribanos. Inclusive o Icó.

Com o pensamento na terra natal, e com um sorrisão no rosto, resolvi passar por dentro do mercado das flores. Não. O mercado das flores não é um mercado propriamente dito. É apenas uma grande estrutura com uma cobertura abobada onde vendem-se flores. Lindas. Coloridas. E caras. Diga-se de passagem.

Pois bem. Vinha eu e meus pensamentos quando um senhor me parou. Com um sorriso no rosto e um “boa tarde” animado, ele me ofereceu flores. E depois da minha negativa carregada de sotaque, ele puxou conversa. De onde eu era. Porque estava em Curitiba. Se estava gostando. E o que eu achava do frio. Da cidade. E das pessoas. Todas as básicas perguntas quando se trata de alguém “de fora”.

Fomos conversando. E de repente ele me veio com uma pergunta diferente. “O que é o pensamento pra você?”. Realmente me surpreendeu. Jamais eu havia pensado sobre isso. Silêncio. Depois respondi. E em seguida ele me presenteou com uma flor. “Cor de rosa”. Linda!

Mas ele não me deu a flor pela resposta, claro! Também não puxou conversa comigo porque me achou uma pessoa simpática. Nem fez a pergunta porque queria me impressionar. Longe disso. Provavelmente, todo esse “envolvimento” aconteceu porque ele é um vendedor. E seu objetivo é vender. Depois eu soube que ele sempre conversa com quem passa. E geralmente presenteia as pessoas com flores. Eu não havia sido a única.

Passado alguns dias, tive a oportunidade de comprar um livro de um escritor daqui. O afamado Cristóvão Tezza. E dentre todos que estavam na minha frente, elegi o “um erro emocional”. Não é o mais famoso dele. É apenas mais um. Mas talvez eu tenha comprado esse por causa do título. Li a orelha rapidamente. E levei.

Mero engano se eu o comprei porque achei que falava de alguma "relação amorosa" que terminaria com um final feliz, “à la” receitas das comédias românticas cinematográficas. O livro fala de uma relação sim. Mas apenas em pensamentos.

Logo na primeira página o autor revela o que seria o mote da história. E depois disso, apenas pensamentos. Dos dois personagens. Até o fim. Sei que é uma característica dele relatar os pensamentos dos personagens. Mas o que me impressionou foi a quantidade deles. Se tirássemos todos os pensamentos e deixássemos apenas os diálogos, acho que restariam apenas meia dúzia de folhas. Ou menos.

Lendo o livro lembrei da tal pergunta. E do que eu havia respondido. O que somos nós senão nossos pensamentos? Porque depois de irmos morar sozinho, em uma cidade cem por cento desconhecida, nos resumimos a eles. Podemos passar um dia inteiro sozinha. Ou vários. Sem falar sequer uma palavra. Mas o juízo está lá. Queimando. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sr. Curitiba


Dois dias após a saída (na segunda-feira) o cara legal adiciona no facebook.

Sr. Curitiba: Oi, tudo bem?
Moça: Tudo e com você?
SC: Tudo bem também... Boa a festa ontem, né?
M: Pois é, achei divertida, pessoas legais...
SC: E você, o que veio fazer em Curitiba? Como é que você larga o calor do Ceará?
M: Rs. É que pra gente estudar tem que fazer esses esforços, né? Rs.
SC: Mas já tá adaptada a cidade? Costuma sair pra onde?
M: No começo é sempre mais difícil... mas com o tempo você vai fazendo o que gosta, achando os lugares que agradam.

(...)

SC: Nossa, você gosta desse tipo de música? Que massa! Eu também.
M: Massa mesmo, hein? É difícil encontrar pessoas que gostem disso. Mudando de assunto... Nossa, tô com frio!
SC: Ah, mas hoje nem tá tão frio assim.
(...)

SC: Moça, foi bom falar com você! Nos comunicaremos mais vezes.
M: Ô, Sr. Curitiba, também foi bom conhecer você melhor. Até mais!

No decorrer da semana, o papo continua intenso. Afinidades vão sendo descobertas. Pra comunicação ficar mais "próxima", eles se adicionam também no whastapp.

Chega a sexta-feira.

SC: Oi, moça! E aí, o que você vai fazer hoje?
M: Ah, acho que nada. Não tenho nada combinado. E você?
SC: Eu vou pra um barzim com uns amigos. Um lugar bem legal!
M: Olha, que bacana! Interessante, hein?
SC: É, esses meus amigos são legais. Vai ser divertido!
M: Ah, pois beleza. Se divirta!
SC: Obrigada, depois nos falamos! Beijo grande!

Reparem que a moça deu abertura para eles saírem. Na verdade, era o que ela estava querendo após uma semana de conversas sem parar. Porém, o rapaz nada de tomar atitude e chamá-la para nada. "Será que ele quer ser só amigo? Curitibanos são assim? Posso tomar atitude? Se fosse lá na minha terra... Idiota!".

Chega o sábado e novamente o assunto continua. Uma observação: ele mandou foto pra ela enquanto estava na festa no dia anterior, dizendo que ela iria amar aquele lugar.

SC: E o sabadão, moça? Qual vai ser a boa?
M: Ah, eu vou assistir um apresentação de uma banda de rock que dizem que é muito boa. Vamos?

(Siiiim, ela tomou atitude. Era necessário.)

SC: Ah, tenho que ver se meus amigos querem ir. Qualquer coisa, te aviso! Você vai com quem?
(....)

Nesse momento, a moça pensa: "Como assim chamar os amigos? Ele não entendeu que eu estou o chamando pra sair?"

Sábado à noite: Rock. A moça vai bem bonita achando que vai encontrar o rapaz.

Duas horas depois, o Sr. Curitiba chega.

SC: Olá, que lugar legal esse, né?
M: Pois é, eu também achei. A banda está ótima. Ah, deixa eu te apresentar meus amigos.

Duas horas depois de se encontrarem.

SC: Você tá bonita, hein?
M: Ah, obrigada! Você também! Vamos lá pra frente?

Nessa altura do campeonato nem paquera rolava. E ir pra frente do palco seria uma tentativa de ficar mais próximo, mas... Nada! Os mesmo pensamentos retornam: "Ele quer ser só meu amigo? Se fosse lá na minha terra.. Idiota!"

Eles se divertem a noite toda. Brincam, balançam a cabeça juntos, cantam as músicas, compram cerveja, conversam com os amigos. Até que o rapaz solta...

SC: Moça, eu queria muito ficar com você. Porém, não vou ficar hoje.

A moça, diante dessa situação, e com o já quase final da festa,  prefere ir embora com mil questionamentos na cabeça "Qual é a desse cara? Conversa que só diz que está interessado e não faz nada? Só podia ter outra paquera naquele lugar. Idiota!

Domingo. Novos papos via redes sociais. Os dois fingem que nada aconteceu no dia anterior.

SC: E aquela festa, foi boa, né? Você estava linda!
A moça pensa: "Qual é a desse cara? Não estou entendendo mesmo. Ele quer ser amigo? Amizade é bom. É ótimo. Mas é bom quando a gente sabe o que a pessoa está querendo!"

M: Ah, eu também gostei... foi ótimo!

Duas horas de papo.

SC: Moça, vou dormir. É sempre muito bom falar com você.
M: Ah, também! Abraços.

De novo, um novo papo, novas afinidades e nada. Nada. A menina continua sem entender. Curitibanos? Eles são assim? Nessa dúvida cruel, passa a pedir opiniões para outros senhores curitibanos: Moça, os curitibanos são assim mesmo. Lentos. Até os rápidos daqui, são lentos. Curitiba é a cidade do chá. Quando não é a menina que coloca ele no chá, é o outro que faz. Sempre tem alguém colocando um ou outro de molho. Moça, aqui em Curitiba é assim. Você tem que acostumar com esse jeito. O negócio é o seguinte: tem que ter mais de um paquera. Quando um deixa você de molho, você vai para o outro. É sempre bom ter outro plano.

Mais uma semana se passa. A mesma história. Conversas e mais conversas. A mesma história. Também a lentidão, a dúvida se é uma paquera ou amizade, o não chamar para sair.

 E mais uma semana passa. E mais uma semana.

Chega o final de semana. Nada do rapaz chamar a moça para sair. Coincidentemente, os dois se encontram no mesmo lugar. Papo pra cá, papo pra lá. Nada da linguagem corporal. Nada do rapaz nem tocar na moça. As horas vão passando, a companhia vai ficando cada vez mais agradável. Bebida vai, bebida vem, e, finalmente, no final da festa, após semanas de conversas, os dois se beijam. Beijam, abraçam, abraçam, beijam. "Valeu esperar" a moça pensa.

 Na hora de ir embora, a moça, que nessa altura do campeonato já achava que as coisas poderiam andar mais naturalmente (e não lentamente), diz para o Sr. Curitiba:

M: Você vai embora agora? Posso ficar mais um tempo aqui com você.
SC: Não, não. Pode ir com suas amigas.

E assim iniciou mais uma semana. E os papos, e os bons papos, e a afinidade, e o também não chamar para se encontrar. 

Obs: Gostaríamos de deixar claro que essa é uma história fictícia. Que o rapaz e a moça são baseados na nossa (as escritoras do blog) imaginação, histórias de bar, conversas costumeiras e observações realizadas.  







quinta-feira, 26 de setembro de 2013

há sonhos que são de verdade

Era noite e eles bem pequeninhos, uma graça de crianças. Estavam dois em cima de um caminhão de lixo enquanto um ficava na calçada jogando os sacos de lixo para os dois lá de cima. Não tinham semblantes de tristeza, mas também não tinham feições de crianças felizes apenas estavam fazendo o que provavelmente fazem todos os dias quando as lojas do centro fecham e deixam papelões, sacos e papeis na calçada. 

Um pouco mais distante estava uma senhora já idosa, por volta de seus 80 anos. Pele enrugada dos dias vividos, casaco cinza, postura encurvada, cabelos brancos e um cansaço enorme! 

Na rua em que acontecia essa cena, passava uma moça junto com alguns amigos. Ela olhou para os amigos e disse: "Ver essas coisas me partem o coração. Isso é negligencia, cara! Da mãe, do Estado e nossa!". Ela não aguentou ver aquela cena triste, chegou para senhora de cabelos brancos e disse: "Mãezinha, não deixa eles catarem mais lixo não, o que a gente pode fazer pra melhora isso hein?!

A senhora olhou pra ela com aquele olhar cansado, baixou a cabeça, voltou a pegar os papelões e nada disse.... a moça saiu...e aquela rua não era mais molhada pelas chuvas de Curitiba, mas pelas lágrimas da moça que se sentiu muito inútil frente aquela cena toda.

.escrito por Larissa Siqueira que sonhou com esse texto. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Até no Alasca.

Novo dia frio em Curitiba, assim como acontece na maior parte do ano (ou, pelo menos, do que presenciei). Sair de casa é sempre um tormento necessário. 

Adentro o Inter II (acho que já falei dele algumas vezes, mas pra recordar, ele é como se fosse o Grande Circular de Fortaleza, roda a cidade "toda"). Dou sorte de conseguir ir sentada, o que de fato, é uma sorte. O ônibus demora a sair, e, como é de costume, escolho as pessoas que vou ficar reparando (é, reparando, escutando a conversa, enfim. Aí vai uma dica: é uma ótima forma da "viagem" no busão se tornar mais divertida. É cada gente, cada história).

Olho pras pessoas que estão na porta do ônibus e vejo um rapaz de mais ou menos 27 anos, baixinho, fortinho, moreno, "cabeça chata" tentando puxar assunto com outros rapazes que tinham o mesmo estereótipo: altos, magros, brancos, olhos claros, cabelo claro, engravatados. 

Cabeça-chata: "ei, mah, como é que tu tá aguentando esse frio todo? tá muito friiiio!"
Engravatados: nada de falarem nada. Dão um sorriso amarelo. 
O cabeça-chata não se importando nada com essa demonstração, continua: Mah, é sério, tá mto frio. Eu sou lá do cIará, se fosse lá, tava um calor danado e vocês precisariam usar protetor solar. 
Engravatados: o sorriso amarelo continua. 

Eu, que lá estava observando a conversa toda, começo a rir, sozinha, morta de feliz, pensando "esse nosso ceará é muito simpático mesmo, até no frio".

De repente, não mais que de repente, o cabeça-chata cearense se anuncia pro ônibus todo (mais especificamente pro "pavimento" que eu estava). 

Cabeça-chata (com o sotaque mais lindo!): Oi, pessoal! Meu nome é "Cabeça-chata", sou lá do Ceará, e lá não tem esse frio não ("no Ceará não tem disso não, não tem disso não, já dizia Luiz Gonzaga"). Vocês não tão morrendo de frio não? (todo mundo permanece calado, inclusive eu, que só consigo abrir um largo sorriso). Eu vim lá da minha terra porque faço parte do Manassés (pqp, manassés não. que horror!) e estou aqui pra divulgar a casa e oferecer esses produtos pra vocês, apesar de ter essas placas no ônibus dizendo que é proibido vender e pedir esmola (achei genial essa parte, pq no Ceará a gente pode fazer "o que quiser nos ônibus"). 

E assim as explicações sobre a Manassés, uso de drogas e a importância da compra daquele kit ocorreu. Ali na frente, eu via, claramente, uma pessoa super calorosa, apesar do frio que estava reclamando, e engraçada (ô povo cearense engraçado! armaria!), capaz de tirar brincadeira com todo mundo, sem ofender. As pessoas, que a princípio, estavam bem fechadas, com decorrer da venda, já se comunicavam entre si com o olhar sorrindo.

Quando acabou o comércio, permaneci sem falar nada com ele. Pensava comigo "pq sempre eu tenho que falar.. não consegue ficar quieta não, Amália?". 

O cabeça-chata, até chegar sua parada (tubo), foi tentando puxar assunto com os engravatados. Que, inclusive, nada obteve sucesso. 

Coincidentemente, descemos na mesma parada. E, como eu não consigo ficar quieta, passei por ele já esticando a mão:

Amália: Oi, eu também sou Cearense!
Cabeça-chata: Sério?? Por isso que você ria tanto. Tô dizendo que o cearense é uma praga mesmo... Tem até no Alasca. Tu não tá morrendo de frio não?

E, assim, pela primeira vez na vida, fiquei contente de encontrar um Manassés no ônibus. 

Obs: quem quiser saber o que é Manassés (apesar de eu achar melhor vocês ficarem na ignorância: http://www.instituicaomanasses.com.br/

Escrito por:  Amália Beatriz. Cearense de genética e coração, psicóloga de profissão e paixão. Possuo a espontaneidade e alegria como regentes da vida. Vontade constante de aprender, descobrir, encantar e desencantar. Moradora de Curitiba desde fevereiro de 2013 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

amália


Muitas pessoas já me falaram do meu sorriso. Sorrisão. Que podia fazer propaganda da “colgate”. Pois bem. Conheci uma pessoa que tem um SORRISÃO. Maior que o meu. E radiante. Radiante por existir. Por aproveitar a vida do jeito que ela é. De ver tudo com os olhos da alegria. Nos conhecemos a pouco. Mas já se faz necessária na minha vida. Ela é uma pessoa colorida que tornou meus dias cinzentos e frios mais felizes. Ela que tem uma garra de viver. E um brilho no olhar. Ela mesma. Essa menina que hoje faz 26 aninhos. Te desejo muitos motivos para você continuar com essa felicidade. Parabéns!


“Tirei meu chapéu de palha, e meu paletó de linho. Convidei maria Amália, pra sambar no chuvisquinho”

domingo, 8 de setembro de 2013

quem fica

De repente decidiu ir. Em uma semana estava aqui e na semana seguinte não estava mais. Não avisou a muita gente, só aos mais próximos. Tomar esse tipo de decisão não é fácil, deixar “uma ruma” de coisa pra trás e abraçar o novo, não é para todo mundo. Louvável. Mas como é pra quem fica?

De repente a casa ficou mais vazia, o quarto com as fotos na parede já não tem a presença constante daquela menina morena dos cabelos cacheados. Uma das vozes não está mais lá. Foi falar alto em Curitiba.

É triste, dá saudade, a gente sente uma falta danada, mas sabe que aquela ausência vai servir de experiência pra pessoa que resolveu ir, mesmo que o coração de quem ficou aqui esteja apertado.

O bom disso tudo é poder sentir como as coisas pequenas fazem falta. A voz rouca, o cheiro do cabelo, as fofocas madrugada a dentro, os resmungos de quem precisa acordar cedo pra trabalhar, as brincadeiras com a sobrinha que teima em repetir a frase: “Mãe tô com saudade da tia Vivi!” e mais uma ruma de coisinha que vai juntando e no final vira um “coisão” que a gente dá esse nome de saudade.

Ah, a companhia! Um dia desses fui só num evento chamado Ceará das Rabecas, que todo ano vamos juntas. Cheguei, sentei e me vi só...mas como assim só? Cadê minha parceira de eventos culturais? Ah, ela tá em Curitiba. É claro que depois encontrei pessoas conhecidas que me acolheram, mas...não é a mesma coisa. Como faz falta a companheira.

Tem uma coisa que deixa essa morena com raiva, o fato de eu ter “herdado” os amigos dela. Mulher, tu acha que minha presença substitui a tua? Óbvio que não! Mas isso é fato, quem fica “toma” os amigos de quem foi...assumo essa responsabilidade.

Mas ruim mesmo é a falta que quem foi faz em quem fica. Um vazio. Nem com a voz ao telefone é preenchido, nem com as conversas no facebook, ou no Skype. A presença faz falta. O fato é que nós, humanos (principalmente os seres praianos), precisamos da presença, calor, carne, toque, abraço, beijo...isso faz falta, ah se faz.

Escutar as frases “Se a nêga tivesse aqui ela ia gostar disso...” “Olha é a cara da tua irmã...” “Tô com tanta saudade daquela nêga...em setembro vou visitar ela...” É bom porque faz a gente lembrar da pessoa em sua essência, o que ela faz que te agrada ou que te desagrada, e te faz refletir o quanto aquela pessoa é importante para quem fica, o quanto é importante para a rotina daquela casa e daquelas pessoas que estão com saudade.

Saudade. Dizem que essa tal palavra só existe no português. E têm orgulho disso. Eu não. Tudo bem que acho a escrita dela linda. Mas o que ela significa. Tenho pavor. Sempre tive. Nunca consegui lidar com esse sentimento. Sentimento que sempre doeu e me fez chorar. Saudade das férias. De Tibau. Dos meus primos amados que moravam longe. Dos amores. Das paixões. Que sempre foram distantes. Do primeiro “namorado” ao último. Sem exceção. Dos tios que moravam e moram longe. Saudade da infância. Do colo das minhas avós. E do meu avô que se foi cedo. Saudade dos lugares. Dos cheiros. E das músicas. As despedidas das férias sempre eram regadas a lágrimas. E os primos já nem se importavam tanto. Porque sempre era e ainda é assim.

A saudade agora se transformou. Ela não dói mais. Não sinto saudade de quem ficou. Sinto falta. Sentir saudade dói. Sentir falta não. Sinto falta de assistir televisão com minha mãe. De ficar até tarde conversando com ela. Das risadas. De pedir pra ela dormir comigo. Porque minha cama é melhor que a dela.

Sinto falta de ouvir a voz da Luiza. Porque ela tá crescendo. Mas a voz é a maior característica que ela ainda é um bebê pra mim. Sinto falta de ver ela dançar na frente da televisão. De pedir um copo de água e ela dizer que não vai buscar. Das risadas. E de tomar banho junto fazendo propaganda de xampu.

Sinto falta de reclamar que a Natália demora a se arrumar pra sair. Reclamar que ela coloca tudo em cima da minha cama. Que na verdade é dela. De fofocar enquanto tomamos banho. Das gargalhadas enquanto conversamos “miolo de pote”. De desabafar e ouvir a resposta “ô besteira”. Das marmotas. Falta do café da manhã. De conversar horas com a Regina. De beijar o Duc. E reclamar dele também.

Sinto falta do meu pai. Falta dos poucos almoços do domingo. Falta do abraço dele. Mas essa relação é um capítulo à parte. Porque percebemos que nos falamos mais aqui, que quando estou lá. Eu estou ligando mais. Vendo mais. Tudo bem que é por Skype. Mas continuo a ligar pra pedir ajuda. Com o computador. Com a torneira que quebrou. Com o aquecedor que está esquentando demais. Com a televisão que não funciona. Com tudo que eu preciso. 

Sinto falta do calor da fogueira. Do cheiro da saia. Dos sorrisos na roda. E das gargalhadas nas emboladas. Falta da hora do café no escritório. Porque eu sempre reclamava de descer aquelas escadas. Falta de conversar e gargalhar quando saímos. E depois perceber que todos os garçons estavam “sentados” na nossa conversa. Sinto falta de todos os meus amigos. Sem exceção. Todos.

Sinto falta e não dói. Porque tenho certeza que o amor não diminui. Que sempre que eu quiser eles estarão lá. E eu estarei aqui. Como se estivéssemos no mesmo lugar. Mesmo existindo a distância.

E o mais importante de tudo, é que tem volta. Quer dizer, até agora tem. E se não tiver volta, ainda vão existir férias, feriados e finais de semana.

PS.: não tenho ódio de você está com meus amigos. Tenho ódio porque não estou junto!

Um beijo de quem fica pra quem foi. E de quem foi pra quem fica.


Texto escrito por Natália Escóssia. E Virgínia Pitta. O sobrenome é diferente, mas somos irmãs. Só que um lado puxou o pai e o outro puxou a mãe.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

cidade

Outro dia me perguntaram sobre a minha visão da cidade de Curitiba. É assim que eles se referem a capital mais fria do Brasil. Quais as diferenças. Semelhanças. Se estou gostando. E sempre me pedem a “visão como arquiteta”. Claro! Acho que esperam que eu fale dos prédios. De suas histórias. Das ruas. Da “acessibilidade”. Sempre indo para a tal teoria. Que por sinal, é muito bem estruturada nas folhas de Jane Jacobs, Kevin Lynch e Jaime Lerner. Mas não gosto de falar muito sobre “a arquitetura”. Acho um papo meio cult-bacaninha que parece não ter fundamento. Porque, na verdade, para falar de uma cidade, ou de sua “arquitetura”, não precisa ter conhecimento teórico. Precisa ter conhecimento de causa. Tem que ser transeunte, un passant, piéton, pedestre, ou como queira chamar.

Para entender os prédios e falar deles, para saber se o tal transporte coletivo “funciona”, tem que viver a cidade. Andar a pé. Errar o caminho. Pegar um prédio, uma rua ou uma esquina para localização. Andar de ônibus. Pedir informação. Errar o caminho. Se comunicar com as pessoas. Se esquivar, as vezes. Precisa olhar pro céu. E olhar ao redor. Precisa saber onde é o centro da cidade. E para onde ela se expandiu. Para depois saber onde se localizam os bairros. E conseguir circular.

É isso que eu tento fazer por aqui. Se não o medo toma de conta e a cidade nos engole. E meus dias tem sido assim. Andar a pé e de ônibus. Olhar. Ver. Observar. Perceber. Me achar. E me Perder. E estou adorando. Tudo bem que morar no centro é uma vida a parte. Tudo que eu faço é perto. Ou muito perto. O ideal seria uma bicicleta. Mas confesso que andar a pé, de madrugada, por alguns 15 quarteirões ou sair à noite e voltar pra casa de ônibus não tem preço. E dizem que o centro de Curitiba é perigoso. Porque não conhecem Fortaleza a noite. De dia. De madrugada. A qualquer horário. O problema vai ser encarar a confusão que está o canteiro de obras cearense. Já devo ter desaprendido a dirigir.

Sempre que surge a discussão sobre andar ou não de ônibus, a percepção que tenho é que nós, brasileiros, achamos que andar de ônibus é coisa do outro mundo. Porque na tal Europa o busão é o maior charme. Mas só lá. Aqui o transporte coletivo nunca funciona. Porque quem fala com essa propriedade não usufrui desse meio de transporte. Raras são as pessoas que conheço que precisam de ônibus em Fortaleza. A começar de mim. Me pergunto o que significa a palavra funcionar. O famoso “tubo curitibano” é um ônibus normal. Só é bem maior. E não tem nada de diferente do outro ônibus. Sim. Aqui tem os tubos e as paradas convencionais. Tudo igual a Fortaleza. Os ônibus que passam no tubo não circulam Curitiba inteira. Então pegar o ônibus comum também é muito necessário. Mas continuam a dizer que aqui funciona. E lá não. Deve ser o clima. Porque é um charme pegar ônibus no frio. Já no sol quente...

Uma coisa que ajuda a andar de ônibus é a inexistência do sol a pino, dos buracos, do engarrafamento e dos assaltos. No curto período de tempo que andei de ônibus na "Fortaleza Bela", sempre chegava nos lugares exausta de calor. Pra não dizer pingando de suor. E sempre escondendo a bolsa. Celular e dinheiro? Muito perigoso dentro ônibus. Por aqui também deve ter roubos. Mas não como em Fortaleza. Eles são tão “civilizados” que tem a voz da mulher do aeroporto dentro do ônibus com a orientação: cuidado com furtos no interior do veículo!

Hoje eu fui na casa de uma amiga. Uma distância que podia ser percorrida pelos meus pés. Mas fui de ônibus. Depois de 4 paradas ou estações: Cristo Rei! Um novo bairro para marcar no meu “google earth”. A primeira impressão já foi a melhor. Tive que subir uma ladeira. E depois de muito forçar minhas perninhas tive uma vista linda de Curitiba. Pude ver os prédios lá no fundo fazendo uma “skyline”. Lindo. Fui andando. Comecei a perceber os prédios. Como são diferentes do meu bairro. E de Fortaleza. Prédios baixinhos. Sem pintura manchada. Nem pichação. E percebi o quanto a "Capital da Alegria" é sufocada por prédios enormes. Sempre precisamos olhar para cima pra ver um prédio na totalidade, porque na altura do observador é impossível. Aqui a cidade é mais aberta. 

Na volta precisei parar na rodoviária. Que é exatamente o meio do caminho entre minha casa e o Cristo Rei. Dentro do ônibus, percebi que nesse trecho existe um viaduto. Na hora pensei que se eu tivesse ido a pé, teria que passar por baixo dele. Tenho verdadeiro pavor de passar a pé por baixo de viadutos. Essas áreas sempre são desertas e não tem nada que nos faça sentir a cidade. Perto da minha casa em Fortaleza tem um viaduto. E lá em baixo tem apenas carros estacionados. Ou moradores de rua. E agora, com as obras, não tem nada. Apenas uma luz na escuridão. A cara do assalto. Lógico que lembrei da discussão teórica e prática que está acontecendo no Cocó. Um viaduto naquela área? Apenas com a finalidade de deixar mais perigoso do que já é.

Curitiba é totalmente diferente da minha terra. Em tudo. Prédios. Pessoas. Clima. Calçadas. Ônibus. Limpeza. Céu. Cor. Memória. Telhados. As vezes melhor e as vezes pior. Por aqui passou um tal de Jaime Lerner. Que tive como referência na faculdade. Ouvi dizer que ele era um político. Com todos os significados que essa palavra possa ter. Que as “melhorias” que fez foi apenas por política. A diferença é que ele fez coisas boas para a cidade, atingindo diretamente quem vive aqui. E com esse caso de política x cidade que existiu, me pergunto porque não fazem isso na minha cidade querida. Não só em relação ao viaduto. Nem as centenas de árvores que cortaram. Nem em relação a ciclovia apagada. Nem ao megalomaníaco aquário (3° maior do mundo). Nem aos novos hospitais construídos que não funcionam. Mas em relação a tudo. A tudo que já foi feito e que vão fazer sem pensar. Sem pensar no outro. Sem pensar na cidade. Sem pensar em quem precisa dela.

domingo, 25 de agosto de 2013

"Vem pra rua!"

O esperado sábado chegou. Deixo de ir à praia (ela mesma, que tanto faz falta) e almoçar com uma amiga na casa nova dela para poder assistir ao show de um artista pernambucano. Na rua. Um projeto chamado "Cultura na Rua", que visa, pelo o que entendi, trazer atrações musicais para os espaços públicos. Trazer o pessoal pra rua. 13:00. 

Questionei, comigo mesma, esse horário. 13:00? Tentei comparar com Fortaleza e pensar se lá projetos desse tipo começariam neste horário. Acho que não. Lá é sempre à noite. Já escutei falar que os Curitibanos não aderem projetos assim. Que não vão às ruas. É de se entender. Tá sempre chovendo e/ou muito frio. É tanto que os bares, por exemplos, são lugares fechados. Dificilmente se encontra cadeiras nas calçadas (no Largo da Ordem é o único lugar que vi até agora).  Mas também, com esse sempre frio e chuva. No entanto, eu não afirmaria que eles não frequentam os espaços públicos. Pelo menos, se eu for tirar pelas manifestações de junho, que, debaixo de um frio e chuva desgraceira, estavam lá, em bom número, falando/cantando "ei, piá, queremos um país tesão!". Curitiba na rua. Também manifestando.

Faço o trajeto até a Boca Maldita (lugar do show) a pé. Ao chegar na Praça Santos Andrade, a primeira ocupação de rua. "Dia de Mobilização pelos Direitos da Mulher". Um evento, como o próprio nome já diz, com o objetivo de ressaltar os direitos das mulheres. Vários "stands" falando disso. Englobando os mais diversos aspectos. Apesar de ter achado um evento interessante, sempre me incomoda o fato da gente ter que constantemente "lembrar" dos  direitos das "pessoas". Não queria que fosse preciso falar disso a todo instante. 

Após a Santos Andrade, chego no rua XV de Novembro. Também conhecida como Rua das Flores. Primeira grande via pública brasileira exclusiva de pedestres. A XV é uma "rua" linda. Desde a primeira vez que estive em Curitiba, ela foi um dos encantamentos. Totalmente ocupada de pessoas, prédios históricos belíssimos e canteiros de flores. Em toda sua extensão, as mais diversas artes: música, desenhos, palhaços. Pessoas. A rua ocupada de artistas. No dia do artista.  Eram muitos estímulos e já era 13:00. Já estava atrasada pro show (existe uma pontualidade impressionante!), mas não conseguia passar rápido por tudo. O olhar curioso estava a devorar aquilo que ia passando por mim. Por vezes, parava, mas logo lembrava: estava atrasada pro show. 

Chego na Boca Maldita (no final do calçadão da XV). O show já tinha começado. Vou lá pra freeente do palco (não era difícil, a quantidade de pessoas era bem pequena). De novo, o olhar curioso devorava tudo. Queria prestar atenção no show, nas pessoas, no lugar. Muitos estímulos. Siba, o artista pernambucano, se garantiu durante toda apresentação, assim como sua banda. Apesar da quantidade pequena de pessoas, ele conseguiu interagir muito bem com os que ali estavam. E quem eram esses? Homens barbados, por vezes, de cabelos grandes, mulheres com tatuagens e cachos, crianças atentamente na "cacunda" dos pais prestando atenção em tudo. Moradores de ruas, bebos, também fazendo a festa. Pessoas que passavam e ficavam curiosas paravam pra assistir. Uma vez, algum dos meninos do Luxo da Aldeia comentou no facebook sobre essa mistura. E de como gosta dessa mistura. Acho que é exatamente disso que eu mais gosto nos eventos ocorridos na rua. A possibilidade de "misturar". Tudo junto e misturado.


Acaba o show e um pequeno intervalo para a próxima banda, Trombone de Frutas. Vamos a procura de cerveja enquanto esperamos. Aqui, um ponto a destacar: não existiam vendedores ambulantes. Isso, isso. Os moços com isopor vendendo cerveja. "Óia a cerveja, três real". Como assim? Evento de rua e não existe vendedores ambulantes? Poisé, o que acontece é que nunca vi deles por aqui. Talvez exista uma lei municipal para isso. Não sei. Mas que é diferente, é.  

Trombone de frutas, e um monte de fruta no palco. Melancia, uva, banana. Roupas coloridas. Engraçado que, dias antes, tinha visto um clipe da banda. No mesmo dia, fui pra um bar, e tinha uma pessoa com uma camisa típica do "Trombone de Frutas". Falo: "Eaí, Trombone de Frutas." O cara se acaba de rir e diz que conhece a banda, e que a camisa dele fazia mesmo o estilo do grupo musical. Voltando a apresentação, ela foi, no mínimo, muito divertida. Inglês, espanhol e português. Tudo misturado! (olha a mistura de novo!). E a interação com o público, excelente. (sim, eu amo a interação artista - público).



Segundo tempo. Vejo, por um "amigo", que vai rolar uma festa "junina" no Largo, na praça, na rua. Após o show, nos encaminhamos para lá. O lugar tava toooodo decorado. Bandeirinhas de São João, bois para vestir, mesa de comidas. A coisa mais linda e cuidadosa! E música, música de "Festa Agostiana". Forró. Triângulo e Zabumba. Eu não tinha ideia, até aquele momento, como eu estava com saudade disso (apesar de já ter ido pra um forró aqui, aquele momento de São João, era totalmente diferente). Não foram poucas vezes que os meus olhos ficaram cheios de lágrimas, encantada de estar naquele lugar. Tratei de amarrar meu cabelo com duas "chuquinhas" e caí na dança. Na quadrilha. Na alegria.




E, diante de tudo, eu só consigo pensar: Vem pra rua!

Escrito por:  Amália Beatriz. Cearense de genética e coração, psicóloga de profissão e paixão. Possuo a espontaneidade e alegria como regentes da vida. Vontade constante de aprender, descobrir, encantar e desencantar. Moradora de Curitiba desde fevereiro de 2013. 



sexta-feira, 23 de agosto de 2013

o miolo da estória

Conheci as músicas de boi antes mesmo de saber o que era a brincadeira do bumba boi. Soube das lendas da ilha, antes mesmo de pisar em São Luís. Me encantei quando vi pela primeira vez um maracá com suas fitas coloridas, tocando os versos de “folia de príncipe” e “pedra de responsa” no teatro José de Alencar. Acho que eu tinha uns 11 anos quando fui pela primeira vez a um show do Chico César. Depois conheci o maranhense José de Ribamar, vulgo Zeca Baleiro, que canta as lendas e brincadeiras do maranhão, algumas vezes disfarçadas de rock ou de brega, como a “Serpente” e “Semba”, mas que não passam de toadas de boi, tambor ou mina.

Eu só percebi tudo isso depois que “fui pra ilha maravilha”. Descobri que tudo que era cantado nas “minhas músicas” era de verdade. As lendas e brincadeiras (que são muitas) fazem parte daquela cidade velha e daquele povo. Eles amam aquilo. Mesmo não tendo nada. Apenas com a fé nos santos e nos orixás. Fé. Eles tem muita. E talvez precise. Porque o descaso é grande demais. Sempre penso que poderia ser uma Amsterdam, mas é São Luís.

E foi com esse meu encanto pelas brincadeiras que quis ver aquele espetáculo: “o miolo da estória”. O resumo na programação do Festival Palco Giratório dizia que “a estória apresenta a vida e os sonhos de João Miolo, operário da construção civil e brincante de bumba meu boi”. Isso foi o suficiente pra me fazer sair de casa.

Ao entrar no teatro, fomos recebidos ao som de um boi. Era boi da Maioba. O coração já bateu mais forte. Sentei no meu lugarzinho de sempre. No patamar mais alto da arquibancada para poder olhar tudo. Observei o cenário. Vários marcacás no chão. Uma escada de madeira. Um carrinho de mão. Estruturas de madeira. Uma pá. Algumas latas de tinta. Tudo isso no chão, em cima de uma lona circular. E lá no fundo, pendurado, como quem não tem a intenção de aparecer, o pandeirão.

Black out e começa. Vestido como pedreiro, de capacete e colete, ele inicia com versos de literatura de cordel. Esse primeiro personagem era um tipo de narrador da história. A cada black out e a cada “troca de figurino”, o narrador sai e entra João Miolo. Que contava sua história e dialogava com os personagens como quem conversa com a plateia. Um brincante de bumba boi que trabalha na construção civil. Pobre. Como grande parte do povo maranhense. Estado rico de gente pobre. Mas a pobreza não é o foco. Na verdade ela é retratada de uma forma engraçada. O foco é o amor pelo boi. A fé na brincadeira. E a paixão pelos santos. São Pedro e São João.

A história se desenrola. De dia pedreiro e a noite servente do boi. Sua real profissão. Quantas histórias existem nos terreiros. Quantas histórias existem na construção.  Quantas histórias são as mesmas, mas só olhamos para aquelas que achamos virtuosas. Pensei na fala do pequeno príncipe, quando ele observa a forma na qual apresentamos as pessoas: pelo que elas fazem, e não pelo que elas são. Lembrei de quantos Miolos já conheci. Dos capoeiristas-porteiros. Do dj-historiador. Do surfista-arquiteto e dos músicos-arquitetos (que não é difícil). Do mestre de tambor-agricultor. Do baterista-mestre de obras. E de tantos outros que não conheci.

E em meio a diálogos, narrativas em cordel, músicas e texto, o mote da história surge. João quer sair de baixo do boi para pegar o maracá e cantar suas toadas. Miolo quer colocar seu pensamento em forma versos, e não em forma de passos. Mas seu mestre não deixa. Diz que sua vocação está nos pés. Que aquele boi não seria nada se não tivesse o João, para manipulá-lo com a mesma leveza que fazia ali. Naquele momento. Com o pesado carrinho de mão.

Arrasado com tudo aquilo ele se desespera. Resolve sair da brincadeira. E como consequência do destino ou castigo do santo, acaba com um sério problema de saúde. É aí que a fé maranhense aparece. Fé nos santos e nos orixás. Com a mesma intensidade e respeito. Promessa para o boi. E ele volta a dançar. A brincadeira deles é isso mesmo. É misturada com fé e religião. É uma brincadeira que não tem nada de brincadeira.

Tudo isso é apresentado no palco. O texto não é autobiográfico. Mas o espetáculo é a biografia daquele povo. Sofrido. Que encontra a fuga nas brincadeiras. Ele conseguiu retratar a beleza e a pobreza da ilha em apenas uma hora. A cada passo pesado da construção eu lembrava do tombamento dos casarões. A cada movimento leve dos pés, eu lembrava do colorido brilhoso das roupas. Da alegria. Da dança. E do apito. A cada diálogo eu lembrava da fé maranhense.

O sotaque não podia se esconder. Quantos “nhs” puxados e quantos diminutivos. Quantos “pequenos” e “ças criança”. Quantos detalhes. E todos estavam lá. Nas músicas. Nas danças. Nos movimentos. Nas personagens. Nos diálogos. Na leveza. Na luz. E no cenário. Ah! o cenário. Esse também encantou. O carrinho de mão que fazia função de boi e de altar para São Pedro. A pá era “guidon” e as peneiras eram as rodas da bicicleta. A lanterna que era vela. O “pôster” de São Pedro que era uma placa de estacionamento. As latas de tinta que eram cama. O capacete que era chapéu de vaqueiro. As estruturas de madeira que eram lixo e tijolos. O capacete de solda que era máscara de cazumbá. Todos os elementos cumpriram sua função.

Promessa realizada. João fica bom. E paga sua obrigação: dançando o boi no auto da escada de madeira que, iluminada, se transformou na escadaria da Capela de São Pedro. Com o pandeirão lá no alto, lindo, todo iluminado, brincando de lua cheia.

Lauande Aires. Esse é o nome do maranhense. Texto, direção, atuação, figurino e cenografia. Santa Ignorância Companhia de Artes. Eles disseram que não tinham nada para fazer a peça. Apenas a vontade. O desejo. Queria retratar essa realidade. 10 meses de preparação. E finalmente conseguiu fazer parte do Festival Palco Giratório, que teve 15 edições anteriores, e aquela era a segunda vez que uma companhia de teatro maranhense se apresentava. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

nova coleção

Moro no centro de Curitiba. Quase no bairro Rebouças. Mas na correspondência diz "Centro". Perto daqui tem muitos shoppings. Acho que uns cinco. Já fui a todos. Apesar de detestar shoppings. Na verdade, logo que cheguei por aqui, era o meu lugar favorito. Por ser igual aos meus. Por ser quente. Por ser o “não lugar” que acaba sendo o lugar de todo mundo. O lugar que podemos nos sentir menos só (apenas pela quantidade de pessoas ao nosso redor).

O mais próximo da minha casa é o Shopping Estação. Um shopping mais popular. Fazendo a comparação cearense, seria o “North Shopping”, sem seus labirintos. Ou o “Center Um”, com uma dimensão bem maior. Esse shopping foi construído na antiga estação ferroviária da cidade. Hoje, além de shopping, o espaço abriga o museu ferroviário. Logico. Museu este pequenino perante a dimensão do shopping, que conta um pouco da história da cidade e daquela antiga estação. Suponho que seja esse o conteúdo da exposição, pois ainda não visitei.

Por ser apenas a dois quarteirões da minha humilde residência, significa que vou sempre por ali. Para ir ao supermercado, passo em frente. Para ir ao banco. Pra comer alguma coisa diferente. Para ir ao Cinema ou à faculdade. Isso. Sempre passo por dentro desse shopping para ir à faculdade. Construíram o shopping em 2 ou 3 longos quarteirões. Acho que com a intenção de parecermos está dentro e fora dele. Uma parte da praça de alimentação é realmente semelhante a uma rua/praça. Restaurantes e uma “longa calçada” com muitos bancos. Tudo coberto com material translucido que deixa adentrar a raríssima luz do sol. Sempre tem meia dúzia de casais apaixonados. Grupos de amigos conversando. Mães com seus filhotes nos carrinhos. 

Em todas essas minhas idas ao tal shopping estação passo pela Renner. Não pra comprar. Mas apenas olhar. Olho a vitrine. Vejo todos aqueles casacos lindos. Quase sempre entro. Só para olhar as araras. Conferir os preços. Mas acho tudo muito caro. Passou de 50 reais, devolvo a peça pro seu devido lugar. Principalmente agora, que não tenho mais meu salário querido pra me fazer companhia. As vezes olho toda a sessão feminina. Fico me imaginando comprando aquelas roupas de frio. Me imaginando no novo visual mesmo sem saber me vestir para frio. Sempre tenho o mesmo pensamento: preciso de roupas para aguentar o frio, mas sem ficar ridícula.

Metade de agosto. E de fato esperando setembro chegar. Mês mais frio do pavoroso inverno curitibano. Céu cinza. Vento frio lá fora. Nem sinal do meu querido sol. Passei a usar o aquecedor quase o dia inteiro. Inclusive pra dormir. Para sair de casa, uso minhas roupas de anos atrás. Muitas blusas de manga que não esquentam e casacos emprestados.

Um final de semana sem aula. A saudade aumentando cada vez mais. Enquanto o sentido da mudança diminui proporcionalmente. Sexta feira. Uma tristeza sem fim. Pra espantar tudo isso, resolvi ir ao shopping. Ir no salão. Almoçar. E, finalmente, comprar meu "look" de inverno. Me "arrumei" e fui. Primeira parada: Renner. Olhei para a vitrine. Procurei pelos casacos. Pelos moletons. Calças. Botas. Nada! Primavera-verão. A nova coleção acabara de chegar. 

A quem interessar possa (organizado "a la" trabalhos de arquitetura):

O SHOPPING ESTAÇÃO
O Shopping Estação foi inaugurado em 1997. Localizado anexo à antiga estação ferroviária de Curitiba, no bairro Rebouças, o Shopping Estação teve sua arquitetura projetada para manter a concepção original da antiga construção, integrando o antigo e o novo com perfeição, valorizando a iluminação natural e os jardins internos.

O MUSEU
O Museu Ferroviário de Curitiba abriga mobiliários e peças que colaboram para o resgate histórico da memória ferroviária no Paraná, que se iniciou em 1885 com a inauguração do trecho entre Paranaguá e Curitiba. Inaugurado em 1982, o espaço possui a arquitetura da antiga Estação Ferroviária de Curitiba.

Horário de funcionamento do Museu: 
Terça a sábado: 10h às 18h
Domingo: 11h às 19h
Segunda: não abre

PS.: Texto retirado do site do shopping estação, que provavelmente deve ter sido feito por um arquiteto, diante das mesmas justificativas urbanísticas e arquitetônicas para qualquer novo empreendimento que envolva: antigo x novo, patrimônio, urbanístico, empreendimento comercial.